As duas notícias abaixo são relativamente recentes, e tratam de uma mesma realidade organizacional contemporânea – empresas mais “descontraídas” – mas as duas parecem apontar para lados diferentes dessa realidade.

Uma lembra um pouco o “mundo de fantasia” – o que não quer dizer que uma parte desse mundo não seja real.

A outra mostra o lado sombrio desse mundo – o que não quer dizer que o mundo inteiro seja sombrio…

Vamos conversar sobre o assunto?

André Cabette Fábio 18 Set 2016 (atualizado 07/Mar 17h01)

Em: https://www.nexojornal.com.br/expresso/2016/09/18/Por-que-empresas-que-projetam-um-perfil-%E2%80%98descolado%E2%80%99-n%C3%A3o-est%C3%A3o-livres-de-den%C3%BAncias-de-sexismo

Preconceitos arraigados não desaparecem com boas intenções ou simplesmente contratando mais mulheres

O vazamento de uma discussão feita por e-mail por funcionárias e funcionários da Apple em setembro de 2016 levantou questionamentos sobre a capacidade da empresa de lidar com casos de discriminação de gênero. De acordo com um relatório da companhia publicado em agosto de 2016, 32% de seus funcionários são mulheres.

Denúncias de discriminação de gênero foram vazadas pelo site Mic, que teve acesso a uma discussão feita por e-mail entre funcionários insatisfeitos. A publicação também entrevistou alguns dos funcionários, cuja identidade foi mantida anônima. Os relatos apontam uma “atmosfera tóxica” na empresa de tecnologia.

Não faltam exemplos de organizações que projetam um perfil “descolado” com problemas de sexismo. Em dezembro de 2015, a agência de relações públicas FitzGibbon Media chegou a fechar temporariamente as portas.

A empresa já era conhecida na época por representar instituições como o site para vazamento de documentos sigilosos Wikileaks e a Anistia Internacional. O motivo para a crise foi o afastamento de seu fundador, Trevor FitzGibbon, após sofrer diversas denúncias por assédio sexual. “É abundantemente claro que uma diferença irreconciliável surgiu entre a equipe FitzGibbon e eu”, afirmou Trevor na época.

 Os problemas na Apple, segundo funcionários:

PIADAS SOBRE ESTUPRO

Uma funcionária relata que em uma manhã de trabalho um colega fez uma piada sobre como um invasor estupraria todo mundo no escritório. Ela reclamou e o colega se desculpou. Mas revoltada com a reincidência de casos do tipo, a funcionária decidiu enviar um e-mail para o presidente da empresa, Tim Cook.

Ela escreveu: “Piadas sobre estupro são, basicamente, o meu limite. Eu não estou confortável com uma empresa que tolera quem faz piadas sobre estupro”. A funcionária se afastou do trabalho por um mês após o incidente – não está claro se de férias ou em algum outro tipo de licença.

Mas nenhuma medida foi tomada sobre o caso, o que fez com que entrasse com uma reclamação formal junto à Comissão para Igualdade de Oportunidade do governo americano pedindo que a Apple seja investigada. Ela também acusa a empresa de privilegiar homens brancos em promoções.

 

PARCEIRAS ‘CHATAS’

Na troca de e-mails, uma das funcionárias da Apple conta que enviou um pedido de ajuda para a seção de recursos humanos relatando o seu desconforto durante uma reunião com 12 homens e mais nenhuma outra mulher.

“A conversa se transformou em todos os homens diminuindo suas esposas e parceiras. Eu me senti muito desconfortável com o fato de que eu era a única mulher na sala enquanto todos os meus colegas classificavam mulheres como pentelhas [‘nags’] sem que o meu gerente se posicionasse afirmando que aquilo não era apropriado”, escreveu.

TURNO NOTURNO SOZINHA

A mesma funcionária relata que, durante turnos da madrugada ela ficava tão solitária que as luzes da empresa, sensíveis a movimento, se apagavam. Ela escreveu: “eu trabalhava na escuridão durante o horário da noite do meu turno” em um escritório praticamente vazio e no qual era a única mulher do andar. Isso fez com que ela temesse pela sua segurança.

A funcionária pediu permissão para que fosse transferida a uma área próxima a alguma das poucas pessoas presentes no local, mas teve o pedido negado. Cansada, abandonou o emprego na empresa de tecnologia.

‘TPM MASCULINA’

Um outro funcionário relata como era frequentemente criticado por ser um homem emotivo, que parecia ter as características de uma mulher. Ou seja, ele era criticado através de um comentário machista. ‘Qualquer homem sabe que ser comparado a uma mulher é uma insinuação de que você não é forte ou estável o suficiente para lidar com as dificuldades que a vida ou o trabalho como um homem faria’.

Um comentário recorrente era o de que ele estava na sua ‘TPM masculina’. ‘Essa é uma declaração usada para afirmar que mulheres menstruando são emotivas e pouco confiáveis ou racionais’.

Ainda na discussão de e-mail sobre os casos de sexismo, uma funcionária relatou que, após reclamações conseguiu que a empresa reconhecesse que estava trabalhando em um ambiente hostil. A proposta que recebeu foi: permanecer na vaga que ocupava ou mudar para uma outra, com um salário pior. Ela aceitou a segunda opção.

Um dos funcionários anunciou que estava se demitindo da Apple porque “apesar de todas as tentativas de buscar justiça dentro dessa corporação, as reclamações de diversos empregados membros de minoria sobre o ambiente tóxico e opressivo não foram respondidas. Eu testemunhei o completo descrédito das vozes de homens e mulheres de cor, e a culpa não é só da administração direta, mas daqueles com a tarefa de proteger o direito dos empregados”.

Em resposta às denúncias, a Apple afirmou através de um porta voz que “tem compromisso em tratar a todos com dignidade e respeito. Quando recebemos reclamações ou temos informação de que funcionários estão preocupados com seu ambiente de trabalho, levamos muito a sério e investigamos as acusações com afinco – como fizemos com cada um dos casos descritos. Se julgamos que o comportamento está em desacordo com nossos valores, nós agimos”.

De acordo com a empresa, 37% das novas contratações são de mulheres – o que ajuda a aumentar a taxa de funcionários do sexo feminino, de 32%. E 27% das contratações são de negros, hispânicos ou indígenas – que atualmente respondem por 22% dos trabalhadores.

Link para matéria: 

https://www.nexojornal.com.br/expresso/2016/09/18/Por-que-empresas-que-projetam-um-perfil-%E2%80%98descolado%E2%80%99-n%C3%A3o-est%C3%A3o-livres-de-den%C3%BAncias-de-sexismo

Por Luciana Lima

São Paulo – O clima informal e os escritórios que mais parecem bares sempre foram um dos maiores atrativos de trabalhar em startup. Importando um modelo que teve origem nas empresas de tecnologia do Vale do Silício, não é mais novidade encontrar locais de trabalho com guitarras, mesas de sinuca, happy-hour e videogames. Assim como o estilo de gestão a escolha por oferecer ambientes desse tipo visa passar uma mensagem de que as novas empresas são diferentes e mais abertas. Embora com todos esses benefícios, antigamente as startups eram vistas com desconfiança por muitos profissionais. Hoje em dia, entretanto, elas estão se consolidando no mercado como lugares para fazer carreira aliando propósito e autonomia. Na matéria de capa da edição de novembro da VOCÊ S/A “Os lugares mais legais para trabalhar” você vê a história de cinco profissionais que largaram empregos em empresas tradicionais e não se arrependem. A seguir você conhece os ambientes e as práticas mais legais dessas startups.

 

99jobs

“Faça o que você ama”. Esse é o lema do site de recrutamento 99jobs, com sede em São Paulo. No escritório, em Pinheiros, as baias foram substituídas por mesas de trabalho compartilhadas. Os profissionais não possuem estações de trabalho fixas e podem trabalhar nos diversos ambientes do escritório. O clima de união é reforçado pelos “Team Days” que são viagens ou momentos de lazer fora do escritório para estimular a convivência longe do local de trabalho. Ano passado, o local escolhido para o “Team Day” foi a Argentina. Além disso, a empresa conta com um refeitório local, o que permite almoços coletivos e conversas entre os membros da equipe. Para completar o ar descontraído existem os “Funny Fridays”, no qual os profissionais escolhem sextas-feiras para encerrar o expediente mais cedo e jogar videogame ou sair para o Happy Hour.

 

PmWeb

A PmWeb, empresa especializada em marketing em nuvem, tem escritórios em São Paulo e em Porto Alegre. Os ambientes de ambos procuram transmitir o mesmo conceito e foram pensados para combinar com o perfil dos funcionários de cada sede. As mesas de trabalho também são compartilhadas, oferecendo a possibilidade do profissional trabalhar nos diversos ambientes que existem nos escritórios. Duas vezes por ano acontece o “Dia da Felicidade Sem Fim”, que são piqueniques com a equipe inteira, no qual cada um traz comidas e bebidas para serem aproveitados durante o dia. Uma vez por mês a empresa oferece uma festinha de comemoração para os aniversariantes do período e com frequência os próprios funcionários organizam happy hours dentro do escritório. Para criar uma maior proximidade entre os funcionários, periodicamente são feitos os “Pmweb Rockin’School”, eventos onde as pessoas podem compartilhar lições e trocar conhecimentos da vida pessoal e profissional.

 

Geekie

O escritório da Geekie, empresa que cria softwares para educação, é quase um parque de diversões. A sede em Moema, bairro da Zona Sul de São Paulo, conta com pebolim, biblioteca compartilhada, máquina de snacks e um lounge para reuniões e momentos descontraídos. Pensando na saúde dos colaboradores a Geekie também oferece o Open Fruta, uma minifeira na qual frutas frescas ficam disponíveis para os funcionários. A empresa também realiza festas temáticas para os funcionários: carnaval, festa junina, halloween, aniversários do mês são algumas delas. Além disso, oferecem happy hours regularmente, regados à cerveja e amendoim. Para promover a integração, cada área conta com verba mensal que pode ser utilizada a critério da equipe. A verba já foi utilizada em festas, churrascos e momentos de descontração fora do escritório, por exemplo.

 

Dafiti

A loja de roupas e acessórios Dafiti, embora não seja mais uma startup continua com espírito informal de uma jovem empresa. A companhia, que tem sede em São Paulo e um Centro de Distribuição em Jundiaí, interior do estado, conta com salas de descompressão, mesa de pebolim e videogame. A lanchonete dentro do escritório possui um menu especial para os funcionários e um ambiente descontraído, gerando interação com pessoas de todas as áreas. A Dafiti ainda conta com horário flexível, folga para aniversariantes e festas temáticas três vezes ao ano. A forma de se vestir também casa com o ambiente descontraído da empresa e a bermuda está liberada.

 

Bidu

A Bidu, empresa de seguros online, também não tem um código formal de vestimenta e as bermudas são liberadas para os funcionários. Periodicamente são realizados grupos de discussão ao final do expediente acompanhados de pizza. O ambiente informal contribui para um fluxo de ideias mais espontâneo e funciona como uma espécie de brainstorm. Mensalmente, a Bidu realiza uma reunião geral com a equipe para falar sobre resultados e metas, mas esses momentos também são utilizados como um espaço de reconhecimento, conversa e dúvidas dos colaboradores.

 

Em: http://exame.abril.com.br/carreira/escritorios-descolados-lugares-mais-legais-para-trabalhar/

Atualizado em 13 set 2016.

Por Ramon de Souza

Se você é um entusiasta das controversas Bitcoins, certamente deve saber que as moedinhas virtuais foram criadas em 2008 através de um relatório publicado na internet por Satoshi Nakamoto, correto? O que muita gente não sabe é que o conceito de cryptocoins (ou criptomoedas, em português) é muito mais antigo do que isto.

De fato, a ideia de um dinheiro descentralizado e eletrônico surgiu em meados de 1998 através do “Manifesto Cypherpunk”, um texto de autoria do programador Eric Hughes que defendia o uso de criptografia para proteger nossa privacidade na era da informação. Na ocasião, Hughes afirmou que devemos garantir que cada parte constituinte de uma transação financeira tenha conhecimento apenas do que é estritamente necessário para aquela operação.

“Se eu compro uma revista de uma loja e dou dinheiro para o caixa, não há necessidade de ele saber quem eu sou”, explicou o criptoanarquista. “Se eu peço ao meu provedor de correio eletrônico para mandar e receber mensagens, meu provedor não precisa saber com quem eu estou falando ou o que outros estão me dizendo; meu provedor só precisa saber como levar a mensagem até lá e quanto eu devo.”

O nascimento do dinheiro alternativo

Foi a partir das ideias defendidas no Manifesto Cypherpunk que programadores do mundo inteiro passaram a concentrar suas forças na criação de moedas eletrônicas que permitissem o comércio anônimo e protegido por chaves criptográficas. Embora os Bitcoins tenham se consagrado como o primeiro sistema de criptomoedas realmente funcional, vários outros entusiastas do conceito passaram a desenvolver seus próprios protocolos e divulgá-los em fóruns ao redor da web.

Um dos exemplos mais famosos é o Litecoin (LTC ou Ł), que surgiu em outubro de 2011 e destaca-se por ser bem mais leve do que o BTC tradicional. O processamento de blocos, por exemplo, ocorre a cada 2,5 minutos (contra os 10 minutos do Bitcoin original). Além disso, os pacotes de dados dos Litecoins são bem mais leves e podem ser minerados através de hardwares mais modestos, dispensando o uso de máquinas criadas especialmente para essa finalidade. Atualmente, 1 LTC equivale a cerca de US$ 2,92 (ou R$ 6,64 aproximadamente).

Moedinhas para todos os gostos e finalidades

Indo mais a fundo, é possível encontrar algumas moedas bastante desconhecidas e que são utilizadas por um número bastante diminuto de pessoas – mas ainda assim funcionam perfeitamente. A Peercoin (PPC), por exemplo, surgiu em agosto do ano passado e promete ainda mais segurança para as suas transações. Já a Feathercoin (FTC), por sua vez, é bem mais recente: está em atividade desde abril de 2013 e combina alguns recursos de segurança da PPC com a leveza oferecida pela LTC.

Não poderíamos deixar de citar ainda a Terracoin (TRC), a Freicon (FRC), a PhenixCoin (PXC) e a AnonCoin (ANC). Para dizer a verdade, pesquisando sobre o assunto em sites afins, é possível encontrar mais de 80 criptomoedas diferentes (entre algumas que já foram desativadas e outras que ainda estão em desenvolvimento).

Há, inclusive, alguns protocolos com nomes bastante curiosos, como Noirbits, Nuggets, TimeKoin, Sexcoin (criado especialmente para ser usado na indústria pornográfica) e WorldCoin (cujos desenvolvedores prometem revolucionar o mundo e só pretendem lançar a moeda oficialmente quando a população do planeta estiver pronta; a taxa de processamento de blocos prometida é de apenas 30 segundos!).

No fim das contas, os Bitcoins continuam sendo o sistema de criptomoeda mais famoso e confiável disponível no mercado, e é bem provável que sua popularidade aumente cada vez mais. Afinal, o dinheiro eletrônico está se tornando cada vez mais comum até mesmo no “mundo físico”.

Disponível em: https://www.tecmundo.com.br/bitcoin/46659-alem-dos-bitcoins-conheca-outras-moedas virtuais.htm?utm_source=tecmundo.com.br&utm_medium=internas&utm_campaign=saibamais

Por Adam Satariano e Nate Lanxon, da Bloomberg

Em: http://exame.abril.com.br/tecnologia/quase-ninguem-paga-hackers-porque-e-dificil-usar-bitcoin/

15 maio 2017

Londres – Um ciberataque sem precedentes varreu o globo no fim de semana, mas a maioria das vítimas — até o momento — não pagou resgate.

Depois que começaram a ser atingidos pelo chamado ransomware na sexta-feira, os usuários tinham 72 horas para pagar US$ 300 em bitcoin — moeda criptografada escolhida pelos hackers por ser mais difícil de rastrear do que os pagamentos convencionais –, do contrário o valor seria duplicado.

Caso se recusassem a pagar após sete dias, seus computadores seriam travados permanentemente — um problema sério para quem não tem backup de seus arquivos.

Após o fim do prazo para as pessoas afetadas na sexta-feira, apenas US$ 50.000 em resgates foram pagos até a manhã desta segunda-feira, segundo a Elliptic Enterprises, uma empresa com sede em Londres que monitora o uso ilícito do bitcoin.

A empresa calculou o total com base nos pagamentos rastreados para os endereços bitcoin especificados nos pedidos de resgate, acrescentando que a expectativa é que o total aumente.

“A quantidade é realmente baixa”, disse Michela Menting, diretora de pesquisa de segurança digital da ABI Research. “O motivo provavelmente é que as organizações iniciaram seus procedimentos de backup e recuperação.”

Além disso, para aqueles que não salvaram seus arquivos em um sistema separado, pagar um resgate não é como comprar algo da Amazon colocando as informações de seu cartão de crédito ou de débito.

Apesar de os hackers terem fornecido um link útil para aqueles que nunca efetuaram um pagamento em bitcoin, a moeda criptografada é um mistério para muitas pessoas.

“Quando obrigada a pagar uma determinada quantia em bitcoin, a maioria das pessoas não sabe nem por onde começar”, disse James Smith, CEO e cofundador da Elliptic.

Há vários passos.

Primeiro, a pessoa ou empresa precisa efetuar o cadastro em uma das várias bolsas on-line e passar pelo processo de verificação para obter os bitcoins.

Depois, é possível depositar dinheiro na bolsa. Para quem mora em um país que não possui bolsa, como o Reino Unido, o dinheiro precisa ser convertido a outra moeda.

Uma vez que o dinheiro é depositado na bolsa, os bitcoins podem ser enviados ao endereço fornecido por quem promove a extorsão.

“Parece uma longa série de textos ilegíveis”, disse Smith. Depois que o resgate é pago, os hackers supostamente liberam o computador afetado.

“Uma grande quantia de bitcoins é, na verdade, um tanto difícil de conseguir rapidamente”, disse Alex Sunnarborg, analista da empresa de pesquisa sobre bitcoins CoinDesk, acrescentando que o processo de criar uma conta em uma corretora ou bolsa de bitcoins, conectar uma conta bancária e depois receber o bitcoin pode demorar alguns dias.

Embora seja mais difícil do que rastrear um pagamento bancário tradicional, o rastreamento dos pagamentos de bitcoin será uma das principais formas de as autoridades tentarem rastrear os responsáveis.

É praticamente impossível saber quem são os criminosos com base nos endereços bitcoin entregues às vítimas, segundo a Elliptic, mas uma vez que os bitcoins forem transferidos a partir deste endereço, eles podem ser rastreados, o que pode ajudar a levar aos culpados.

“Há coisas que se pode fazer para identificar os atores por trás dos endereços ou transações suspeitos”, diz Kevin Beardsley, chefe de desenvolvimento de negócio da Elliptic, que também trabalha com aplicação da lei.

Em momento de crise, rugby vem conquistando cada vez mais adeptos no país

São Paulo – Um esporte de brutamontes praticado com nobreza por legítimos cavalheiros vem conquistando o coração dos brasileiros. O namoro é antigo, desde que o rugby e o futebol desembarcaram no Brasil trazidos pelo inglês Charles Miller, no século 19. De lá para cá, os irmãos bretões tomaram rumos opostos. Enquanto um virou mania nacional, o outro passou décadas no esquecimento.

Mas os rumos desse esporte mudaram de vez com a criação da Confederação Brasileira de Rugby (CBRu), em 2010, e a grande visibilidade do esporte na Rio-2016. A nova entidade, que sucedeu a todas criadas anteriormente — União de Rugby do Brasil (URB) e Associação Brasileira de Rugby (ABR) —  foi fundada para se adequar às normas vigentes no país.

Tão logo atraiu parceiros e em pouco tempo conquistou reconhecimento internacional. Tanto que foi eleita por dois anos consecutivos como uma das melhores em gestão esportiva na única premiação na América Latina do gênero. Com boa reputação, hoje a CBRu orgulha-se de ter 16 patrocinadores, 11 parceiros e um orçamento anual na casa dos R$ 20 milhões. Nada mau para uma entidade que há sete anos tinha R$ 900 mil no caixa de verba anual.

“Começamos praticamente do zero com um modelo de gestão profissional e transparente, que não existia no Brasil. Conseguimos nos últimos anos muitos patrocinadores e resultados esportivos, que em 2013 e 2014 eram impossíveis de se imaginar. O nosso maior desejo é popularizar o esporte para que em 2023 disputemos a Copa do Mundo”, aposta o CEO da CBRu, o argentino Agustín Danza.

Mas, para atingir meta tão ambiciosa, é fundamental que o esporte seja popularizado no Brasil e, consequentemente, a Seleção consiga resultados muito mais expressivos. Um passo gigantesco foi a volta do esporte ao calendário olímpico, em 2016 — na modalidade de Sevens, praticada por times com sete jogadores de cada lado —, o que não acontecia há 92 anos. “É um trabalho de muitas áreas, mas a principal ferramenta de disseminação é uma Seleção que jogue bem e ganhe. Quando você ganha, as crianças amam, você cria ídolos, surgem polos que atraem praticantes. Sem praticantes, não adianta”, afirma Danza.

Hoje, há no Brasil 60 mil praticantes, 300 clubes filiados e 3,2 milhões de fãs, segundo um estudo do instituto de pesquisas e marketing esportivo Ibope Repucom. Números expressivos que fizeram com que a International Rugby Board (IRB), a entidade máxima do esporte, aclamasse o Brasil (o 31º do ranking mundial da IRB, que conta com 103 países) como um das prioridades estratégicas de investimento. Com tanto potencial esportivo, não faltam patrocinadores. Durante a 7ª edição do Troféu Brasil de Rugby, em São Paulo, a AccorHotels, uma gigante rede hoteleira mundial, anunciou contrato de patrocínio de dois anos com a CBRu, com a possibilidade de renovação por mais dois.

“Não é só uma parceria financeira, é mais profundo do que isso. A nossa ideia é acompanhar a confederação no ciclo olímpico. O rugby tem valores muitos fortes de respeito ao adversário, ao árbitro. Estamos muito orgulhosos em dar início a essa parceria”, afirma Patrick Mendes, CEO da AccorHotels na América do Sul.

Dois outros pesos-pesados do mercado esportivo apostam no rugby. Um deles são os Correios, que fecharam em fevereiro contrato de dois anos com a CBRu, no valor de R$ 980 mil anual. “O rugby tem demonstrado crescimento muito grande nos últimos anos. Só em 2016 teve aumento de 15% em relação ao número de praticantes. O país precisa de esportes alternativos”, diz José Furian Filho, vice-presidente de Logística dos Correios.

O outro gigante é o Bradesco, patrocinador master da CBRu desde 2010 e que renovou até Tóquio-2020. “Foi uma grande aposta em uma época que o esporte não era muito conhecido no Brasil. Mas isso foi mudando. Outro dia assisti pela TV a um jogo de rugby no Morumbi. Tinha dez mil pessoas, mesmo chovendo”, conta Fábio Dragone, superintendente-executivo do Bradesco.

Confiantes, os atletas apostam no futuro. “O Brasil tem enorme potencial enorme. Se fizer tudo certo, em dez anos estará entre os dez melhores do mundo”, aposta Yan Mota Rosetti, jogador do Club Universitário de Buenos Aires (ARG), que recebeu no Troféu Brasil o prêmio de melhor atleta masculino de rúgbi XV — modalidade clássica do esporte, com 15 jogadores de cada lado. Para Leila Santos, revelação feminina, é nítido o caminho da evolução. “Tinha dez anos quando comecei a jogar e mudou muito. Eram outras regras, outros níveis, a gente não tinha tanto contato com a Seleção. O rugby veio para ficar”, acredita.

18/04/2017 – Márcia Vieira

Em: http://odia.ig.com.br/esporte/2017-04-18/em-momento-de-crise-rugby-vem-conquistando-cada-vez-mais-adeptos-no-pais.html

Não bastasse a boa idéia, o design é incrível, não acham ? Vejam como foi o lançamento aqui:

http://www.youtube.com/watch?v=sXhhWXw9V7A&feature=related

Abs…

Ketchup Heinz muda receita pela 1ª vez em 40 anos

Empresa reduz teor de sal para ganhar consumidores preocupados com a saúde

http://portalexame.abril.com.br/marketing/noticias/ketchup-heinz-muda-receita-pela-1a-vez-40-anos-559839.html

 Nova York – O fabricante do ketchup Heinz, o mais consumido nos Estados Unidos, decidiu fazer a primeira grande mudança em sua receita nos últimos 40 anos, para reduzir seu teor de sal em 15% e torná-lo mais saudável.

A mudança, no entanto, está sendo realizada discretamente e não será divulgada nas embalagens, segundo os responsáveis da companhia, cuja conta no “Facebook” se encheu de advertências de seguidores que ameaçavam parar de consumir o ketchup se o teor de sal fosse reduzido.

“Os primeiros testes entre consumidores foram realizados em Pittsburgh (Pensilvânia), antes de realizar as mudanças em outras cidades, para assegurarmos que a nova receita responde às expectativas”, disse uma porta-voz da companhia.

Com a iniciativa, segundo ela, a empresa quer ganhar terreno entre os consumidores mais preocupados com a saúde.

Com uma fração de mercado de 60% nos EUA, onde o ketchup com a nova receita chegará às lojas no meio do ano, a Heinz também é líder ou fica em segundo lugar nos mercados de mais de 50 países.

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A empresa vai alterar o sabor divulgando isso discretamente. Mas, e os consumidores ? Não irão perceber ? Bem… os que  souberem  da mudança antes de comer, perceberão mais, com certeza… (Os outros talvez nem vejam  “o gorila” – se é que me entendem…).

E os que não querem a mudança ? Afinal, o que é mais importante para os consumidores: o sabor ou a saúde ? (Pense em vc mesmo, e responda…).

Abs…!

Marketing e sociedade

maio 10, 2010

Philip Kotler, o mais consagrado estudioso do marketing, descobre a sustentabilidade

Por Eduardo Pegurier | 28.04.2010

http://portalexame.abril.com.br/revista/exame/edicoes/0967/economia/nova-onda-guru-553854.html

No seleto mundo da administração acadêmica, cada área tem seu guru-mor. Peter Drucker era o patrono da filosofia da administração; Michael Porter, o rei da estratégia. Se o assunto é marketing, porém, ninguém tem mais peso que o americano Philip Kotler, professor da escola de negócios Kellogg. Ele é autor do livro-texto lido por gerações de estudantes de marketing. Além dele, escreveu dezenas de obras, que versam sobre as mais variadas aplicações do marketing. Seu novo livro, que será lançado no Brasil em 3 de maio, Marketing 3.0, escrito em coautoria com Hermawan Kartajaya e Iwan Setiawan, faz uma mistura com cara de tabu: a combinação de marketing com práticas ligadas à responsabilidade social.

A nova pregação de Kotler, claro, não é dirigida a ativistas sociais, mas a executivos. A mensagem é simples: num mundo cada vez mais rico e informado, as preocupações sociais e ambientais das pessoas estão cada vez mais relacionadas ao desejo de adquirir bens e serviços. De boa leitura, o livro desenvolve com eficiência os conceitos, estrutura as práticas e dá exemplos para se adaptar ao ambiente de negócios que está emergindo. Nele, abraçar causas sociais será uma condição necessária ao sucesso, assim como envolver nessa empreitada não só consumidores mas também funcionários, fornecedores e acionistas das empresas 3.0.

O título sugere um novo patamar a ser desbravado pelas empresas. O que o distingue dos anteriores? A primeira onda, o Marketing 1.0, foi centrada no desenvolvimento de produtos funcionais e na sua massificação. Em seguida, veio a versão 2.0, com ênfase em conhecer e satisfazer o consumidor por meio da segmentação de mercados. No estágio 3.0, é preciso reconhecer que “o consumidor é mais do que um simples comprador”, escreve Kotler. Ele também tem preocupações coletivas, ambientais e aspira a uma sociedade melhor. A empresa que é sensível a essas inquietações tem clientes leais e marcas mais valiosas. São casos como o da Body Shop, fabricante de cosméticos, e o da Timberland, marca de calçados e acessórios para caminhadas e outras atividades esportivas. A primeira se destacou com seu programa de comércio justo, que dá preferência a pequenos produtores, artesãos e cooperativas rurais de países em desenvolvimento. A Timberland, por sua vez, mantém um programa em que seus funcionários usam parte do horário de trabalho para prestar serviços comunitários.

Para funcionar, esses programas têm de derivar dos valores autênticos cultivados pela empresa. Quem quiser apenas montar uma fachada politicamente correta será desmascarado, pois, a começar pelos funcionários, “os mais íntimos consumidores das práticas de uma empresa”, hoje, o boca a boca eletrônico tratará de espalhar a verdade. Do e-mail às resenhas de consumidores em sites como a Amazon, a informação circula com tal fluidez e velocidade que a única solução é estruturar a empresa de cima abaixo de acordo com um roteiro genuíno das boas intenções.

Pode parecer uma ótica romântica e fadada a perder dinheiro, mas os autores a sustentam com números. Em um levantamento internacional, 85% dos consumidores afirmaram preferir marcas socialmente responsáveis, 70% disseram que pagariam mais para obtê-las e mais da metade declarou que as recomendaria para a família e os amigos. No mercado de trabalho, uma pesquisa mostrou que 50% dos MBAs recém-formados aceitariam um salário mais baixo para trabalhar em uma empresa com engajamento social. Outra, realizada no Brasil, na Rússia, na Índia e na China, chegou a resultados semelhantes: os funcionários querem que seus empregadores ofereçam oportunidades de melhorar seu país. Finalmente, empresas que se classificam como 3.0 tiveram crescimento anual de lucros de 16%, ante meros 7% das outras.

Ainda analisando a tendência que favorece as empresas engajadas, o livro destaca o amadurecimento de um novo tipo de organização, as SBEs (social business eterprises, algo como “empresa de negócios sociais”). Ao contrário de uma ONG tradicional, uma SBE tem fins lucrativos, mas sua atuação está amarrada a uma meta social. Um bom exemplo é o banco Grameen de microcrédito, que funciona em Bangladesh. Sua filosofia é dar pequenos empréstimos a empreendedores que não podem oferecer garantias. Em 2009, o Grameen lucrou 5 milhões sobre 1,1 bilhão de dólares em empréstimos.

Multinacionais de grande porte também podem agir como uma SBE. Por exemplo, na Índia, a Philips se posiciona como um provedor de equipamentos médicos para comunidades rurais. A Unilever vende no mercado africano sachês pequenos e baratos de sal iodado, que melhoraram a saúde infantil. Em um mundo em que 800 milhões de pessoas ainda estão na miséria, a distribuição de renda mundial lembra a forma de uma pirâmide, com os pobres embaixo. Mas nessa base “há uma fortuna”, ressaltam os autores, e para ela devem ser criados produtos inovadores e baratos. “Erradicar a pobreza talvez seja o maior desafio humano.” E para esse objetivo, julgam, a ajuda humanitária internacional não é suficiente. Segundo eles, serão os empreendedores sociais que farão o grosso do trabalho.

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Se vc acha que isso é “romantismo” ou “utopia”, siga o link e leia mais: há uma entrevista com Kotler ao final desse artigo, que não coloquei aqui. Abs !